Boa perde patrocínios após contratar goleiro Bruno; página do clube é invadida

Goleiro Bruno Fernandes
Três patrocinadores já
anunciaram rompimento dos contratos com o Boa Esporte após o clube mineiro
negociar a contratação do goleiro Bruno Fernandes.
O atleta, que deixou a
prisão no mês passado, é condenado em primeira instância pelo homicídio de
Eliza Samudio, com quem teve um relacionamento e um filho.
Um habeas corpus concedido pelo ministro Marco Aurélio Mello,
do Supremo Tribunal Federal (STF), lhe deu o direito de aguardar o julgamento
dos recursos em liberdade.
As empresas Nutrends
Nutrition, fabricante de suplemento nutricional, e CardioCenter, clínica cardiológica,
já haviam anunciado o rompimento na semana passada.
Hoje (13), foi a vez da
Magsul, clínica de ressonância magnética, seguir o mesmo caminho. O Boa Esporte
conta com mais oito parcerias, incluindo a prefeitura de Varginha (MG),
município onde fica a sede do clube.
O anúncio oficial da
contratação do goleiro ainda depende dos exames médicos e de detalhes
burocráticos. As bases do contrato já foram acertadas e a diretoria da equipe
mineira espera apresentar o jogador ainda hoje ou amanhã (14).
Internet

O descontentamento com
a contratação também levou hackers a invadir a página virtual do
clube. Em mensagem postada sobre um fundo preto, os invasores justificaram o
ato como uma demonstração de repúdio ao Boa Esporte e aos patrocinadores por
apoiarem diretamente o feminicídio.
Também foram
apresentados alguns dados relacionados à violência contra a mulher. “No
Brasil, a taxa de feminicídios é de 4,8 para 100 mil mulheres, a quinta maior
no mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Em 2015, o Mapa da
Violência revelou que, de 2003 a 2013, o número de assassinatos de mulheres
negras cresceu 54%, passando de 1.864 para 2.875″, registra a mensagem.
Condenação

Bruno foi preso
preventivamente em 2010, quando defendia o Flamengo e vivia bom momento na
carreira. Um inquérito policial o apontou como principal suspeito de ter matado
Eliza Samudio, que desapareceu aos 25 anos e foi considerada morta pela
Justiça. Seu corpo nunca foi encontrado.
Em 2013, o Tribunal do
Júri da Comarca de Contagem (MG) condenou o goleiro a 22 anos e três meses de
prisão pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, sequestro e ocultação
de cadáver.
Um amigo de Bruno, Luiz
Henrique Romão, conhecido como Macarrão, também foi condenado.
Segundo decisão do STF do ano passado, as penas devem começar a ser
cumpridas após condenação em segunda instância. No habeas corpus concedido
no mês passado, o ministro Marco Aurélio destacou que Bruno tinha condenação
apenas em primeira instância e já somava seis anos e sete meses de prisão
preventiva, sem que seus recursos tivessem sido avaliados pela Justiça. Por
esse motivo, ele deveria ser solto para poder recorrer em liberdade.

De acordo com o Código
do Processo Penal, a prisão preventiva deve atender aos princípios da
proporcionalidade e necessidade, não tendo prazo de duração máxima. No entanto,
uma proposta de reforma da lei já aprovada no Senado e tramitando na Câmara dos
Deputados sugere estabelecer o limite em 360 dias. 

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